segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Senhores: após 3 meses de ausência neste espaço virtual, venho despedir-me.
Aos caros alunos com os quais convivi neste ano (2010) quero externar meu profundo agradecimento por toda a atenção a mim dispensada... e, sobretudo, pela paciência em me ouvir (nas aulas, principalmente) e tolerar. Sei que muitas vezes manifestei idéias um tanto quanto excêntricas, heterodoxas, para não dizer malucas... pensamentos ainda não acabados, incompletos, em eterna formação.
Todos nós continuaremos com nossas vidas, por caminhos diferentes. Alguns de vocês nunca mais verei, outros, vez por outra... A vida se responsabilizará por esses encontros e desencontros. Sempre o inesperado.
Se há algo que podemos afirmar é que sempre teremos dúvidas – isso eu aprendi do modo mais duro possível!
Agora vou tomar a liberdade de falar a vocês como um “tiozão”: a vocês, desejo muita sorte (evitem o risco desmedido!), direção (ouçam seus pais!!), sucesso (aprendam com seus erros!!!) e felicidade (sigam, na medida do possível, suas naturais vocações!!!!). Não pensem que vocês são donos da verdade – isso é cavar a própria sepultura! Nem desconsiderem a verdade em que acreditam – ela certamente significa “um caminho”, dentre inúmeros outros. Lembrem-se: para quem não tem um caminho a seguir, qualquer caminho serve (“só tem tu, vai tu mesmo”)... é melhor ter um caminho.
Agora veremos o Natal, o ano novo, carnaval... toda aquela bebedeira hilariante, que enche algumas pessoas de alegria ... e extasia outras de tristeza! Cuidado com as promessas de felicidade rápida, bem-estar fácil, realização imediata... já leu aquele livro “o barato que saiu caro”?
Por último – mas ainda como um “tiozão” –, gostaria de falar mais uma coisa a vocês: nunca vi tanta gente nova beber tanto! Estou muito assustado com o futuro dessa gente... parece que a única coisa que importa são as chamadas “baladas” (ainda vou escrever um verso só sobre essa palavra!), palavra que hoje deixa muita gente rica, ao custo de uma geração futura desreferenciada (atuais jovens e adolescentes que vivem nessa, todos os finais de semana), que provavelmente dependerá das futuras “bolsas-ex-baladeiros”, quem sabe?
Quanto a mim, outra alternativa não me resta, senão continuar o meu caminho – não conheço outro! Espero ter melhor sorte em 2011. Adeus ano velho, feliz ano novo - vamos a ele!!
Abraços a todos.
sábado, 28 de agosto de 2010
Gente... ainda que não pareça, estou vivo.
Nem vou tentar justificar o hiato... sendo certo que grande parte dos alunos sabe o motivo do meu sumiço... não tenho outra escolha.
Apenas apareço aqui para desanuviar a mente, arejar... e dar espaço para os pensamentos que verdadeiramente me atiçam, isso para não dizer que eles me aprisionam...
Sempre tive o hábito de anotar referências bibliográficas num caderninho, na esperança de algum dia, havendo tempo, ler as obras etc. Certo dia (para abreviar a história), ouvindo a preleção de um grande teólogo (adoro ouvir ‘pregações’!!!), o preletor indicou um livro de Sholem Asch, cujo título era “O Nazareno”.
Na ocasião, o que chamou minha atenção foi a ênfase dada pelo palestrante, no sentido de que tal livro “em nada se compararia àquilo que hoje chamamos de ‘literatura evangélica’, que mais se identifica com ‘auto-ajuda’, ou algo que o valha...”.
Fiquei intrigado. Terminado o sermão, sem perder tempo dirigi-me ao preletor... após breve colóquio de apresentação, ele manifestou-se mais ou menos assim:
“... é preciso ler as fontes, não ler os que leram as fontes, os que acham que entenderam, os que acham que Deus lhes revelou a verdade, os que pensam que são ‘a boca de Deus na Terra’... é preciso ler a Bíblia, mas não simplesmente ler essa traduções que foram retraduzidas/reescritas por um sem número de tradutores ou intérpretes de plantão ou de ocasião...”
Isso foi, para mim, um choque, mas um choque positivo! Era tudo o que eu sempre esperei ouvir de algum líder religioso, ou algo do tipo.
Dali em diante minha visão “religiosa” estava a um passo de mudar.
Esqueci de falar que o preletor disse que somente encontraríamos o tal livro nos Sebos, e mesmo assim seria difícil.
Como eu sempre fui um rato de sebo, rapidamente contatei os principais Sebos do Centro de São Paulo (na época eu tinha uma daquelas pastinhas cheias de cartões de visita, entre os quais havia os cartões de inúmeros Sebos). Passadas algumas semanas, um deles me telefonou dizendo que havia encontrado o tal livro e que o preço era R$ 100,00, por conta do estado de conservação... e aquela ladainha de quem quer vender alguma coisa.
Quando peguei o livro, achei que o cara estava tentanto me vender ‘ouro de tolo’. Falei assim para o cara: “olha, preciso ler um pouquinho esse livro... antes de gastar esses 100 paus...”. O cara falou: “sem problemas, senta aí nesse banquinho e fique à vontade, a casa é sua”.
Bom, depois de uma hora e meia, eu já tinha certeza de que estava lendo o livro, no mínimo, mais “diferente” da minha vida, nada comparado com aquela ladainha de auto-ajuda teológica ideologizada (como talvez escreveria Guimarães Rosa) pseudo-protestante ou pseudo-evangélica (que nada tem que ver com os verdadeiros Evangelhos)...
No Brasil, o livro foi publicado em 1949, pela Companhia Editora Nacional, traduzido por ninguém menos que Monteiro Lobato, numa coleção intitulada “Biblioteca do Espírito Moderno”.
Obviamente, seria impossível sintetizar 645 páginas dessa verdadeira ‘obra prima’ esquecida - ou talvez não lida - pelos atuais preletores, pastores, bispos, apóstolos e demais ilustres líderes religiosos cristãos.
Só para servir de exemplo, o autor começa o livro assim:
“Não o poder de recordar, sim o poder de esquecer constitui uma das condições necessárias à nossa existência. Se a crença na transmigração das almas é verdadeira, então as almas que mudam de corpos atravessam as águas do mar do esquecimento. Para os judeus, essa transição de almas se faz sob a regência Anjo do Olvido. Mas certas vezes esse anjo esquece de remover de nossa memória o material anterior e eis-nos impregnados de fragmentárias recordações de outra vida. Como nuvens esgarçadas sobre os montes e vales do nosso espírito, elas se entretecem nos incidentes da nossa vida diária. Afirmam-se, vestidas de realidade, sob a forma dos pesadelos noturnos - e o efeito é o mesmo de quando, ao ouvirmos um concerto radiofônico, súbito nos chegam flébeis trechos de melodia irradiada em outra onda.”
Sei que tal livro representaria, para muitos, “a maior viagem”!!! Só que desafio a qualquer um, depois de ter chegado até a página 100, conseguir parar a leitura... sobretudo aqueles que tiveram uma formação cristã.
O livro, para dizer a verdade, é dialético, no sentido de fugir de afirmações peremptórias, mas rico em indagações afirmativas (existe isso?), na maioria das vezes sutilmente irônicas, as quais, na verdade, nos fazem refletir acerca de conceitos (cristãos) que nos foram passados pelo costume... ou pelo medo... (mas já advirto: se você tem medo de 'perder o chão', então é melhor não ler, pois você corre o risco de acabar se convencendo de que não temos um porquê para a maioria das convicções religiosas que herdamos, algo do tipo inconsciente coletivo).
Senhores, perdoem-me o “surto psicótico”. Voltem aos estudos - a necessidade de hoje, certo?! -, para que no dia de amanhã, realizados profissionalmente (cada um com os seus respectivos sonhos!!), vocês possam se dar ao luxo de ler os seus “caderninhos de referências bibliográficas”, ou realizar outras loucuras quaisquer, próprias dessa nossa existência humana.
Abraços a todos.
PS: para quem se interessar, Sholem Asch escreveu muitos outros livros, dentre os quais eu poderia citar os seguintes:
- Moisés
- O Apóstolo
- Maria
- Salvação
- O Martírio da Fé
- O Profeta
- O Judeu dos Salmos
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Luto. A literatura universal sofreu uma enorme perda: o grande José Saramago faleceu hoje pela manhã.
Muita tristeza...
Um de seus últimos escritos foi "Caim", lançado no final de 2009 (aqui no Brasil pela Editora Companhia das Letras, 172 páginas).
E agora, o que vamos ler? ... por enquanto vamos reler, e reler, e reler, e reler Saramago, cuja obra completa ainda vai demandar longo tempo para ser compreendida.
Não tenho conhecimento suficiente para compará-lo a Fernando Pessoa ou a Camões... mas o que posso dizer é que, pelo menos nos últimos 30 anos, poucos escreveram como ele, sobretudo na Língua Portuguesa.
Quem não se impressionou com "Ensaio sobre a cegueira"? ou com "O evangelho segundo Jesus Cristo"? E "In nomine dei", "A caverna", "Todos os nomes", "Levantando do chão"?... há tantos outros que ainda não li!
Em uma postagem antiga, tive a oportunidade de falar sobre "O conto da ilha desconhecida" - primeiro texto dele que li. A partir daí não teve mais jeito: saí lendo tudo que eu encontrava nas livrarias que contivesse o nome de Saramago.
Mas eu pergunto de novo: e agora, o que vamos ler (no âmbito da Língua Portuguesa)? ... ainda não sei.
Luto.
sábado, 29 de maio de 2010
Colegas, perdoem-me a ausência... neste momento não tenho como ser constante nas postagens. Assuntos não faltariam. O que falta é o tempo.
Agradeço as mensagens recebidas no meu email relativamente à postagem anterior.
Nesta oportunidade eu quero pontuar o seguinte: estamos em ano eleitoral, sendo que será a primeira vez, desde a redemocratização, que a disputa presidencial não terá como candidato Luiz Inácio Lula da Silva. O palco da política nacional chega a ser hilário. A falta de identidade político-ideológica dos partidos políticos causa perplexidade, mas, sobretudo, preocupação. O que temos visto nos últimos 20 anos é, em síntese, a divisão do bolo (como se fosse um despojo de guerra) entre aqueles que chegam ao Poder...
É certo que a democracia se faz por meio de acordos, nem sempre sendo legítima a mera maioria pura e simples (não há mais espaço para a ditadura da maioria). Por vezes é preciso ceder aqui e ali diante de setores da sociedade devidamente representados no meio político.
Mas o que falta é identidade política, significando isso um ideário bem definido, baseado em valores que deveriam estar impressos, por exemplo, nos programas partidários. Porém, todos sabemos que entre nós predomina a ideia do “cacique político”.
O que veremos na campanha eleitoral que se avizinha? ... frases feitas, as mesmas de sempre. Veremos candidatos evitando ao máximo o embate de ideias, mas prontos a atacar a pessoa do adversário político. Outros vão oferecer milagres, benesses, maravilhas... sem explicar de onde elas virão, limitando-se a falar que farão com que o PIB cresça, que diminuirão a evasão de tributos por meio da fiscalização, coisas assim genéricas, sem significado concreto e minimamente coerente para quem está alheio à rotina da burocracia estatal (aqueles que compõem a maior parte dos quase 130 milhões de eleitores brasileiros).
Como compreender isso? Como mudar isso? Não adianta esperarmos um “salvador da pátria”, um herói. Esse existe certamente nos mitos. Na vida real ele aparece raramente. Não podemos contar com a sorte. Votar NÃO PODE SER LOTERIA.
Primeiro é preciso entendermos como tudo isso ficou assim.
Nesse contexto, recomendo a leitura do seguinte livro:
“Quinhentos anos de periferia”, de Samuel Pinheiro Guimarães, Editora da Universidade do Rio Grande do Sul.
Somente para aguçar o interesse pela leitura do citado livro, transcrevo um excerto:
“Quanto mais concentradas a renda e a riqueza, maior o descompasso entre o sistema econômico e o sistema político e maior a influência do poder econômico na política - para garantir que o peso dos interesses econômicos corresponda à sua influência no sistema de decisão política, inclusive para que aqueles interesses fiquem salvaguardados.
Assim, a principal característica da democracia do mundo atual é a influência do poder econômico sobre a política, através das modernas técnicas de publicidade, de pesquisas de opinião e do uso da televisão na política.
As modernas técnicas de publicidade, acopladas aos novos hábitos sociais gerados pela televisão - isto é, a fragmentação do discurso lógico e do fluxo de idéias e imagens desconectadas entre si, a eliminação do intercâmbio de idéias e de experiências no seio da família e da comunidade - facilitaram a transformação das campanhas eleitorais em campanhas de promoção de ‘produtos de consumo político’.
As modernas técnicas de pesquisa de opinião, orientadas e fragmentadas por segmentos sociais com interesses comuns, permitem a identificação científica das mensagens que os diversos segmentos sociais desejam ouvir, reduzem o compromisso efetivo dos candidatos com um programa político consistente e com seus eleitores e impedem o contraste e o debate de idéias.”
Outro livro que também recomendo - mas que deverá ser lido somente depois do Vestibular, pois primeiro devemos cumprir com o dever, para somente depois irmos ao prazer!!! - é o seguinte: “Os donos do poder - formação do patronato político brasileiro”, de Raymundo Faoro.
Por enquanto é o que posso postar nesse meu blog que, quando comparado com os dos meus colegas professores do Argumento/Objetivo, chega a ser tosco ao extremo - o blog do professor Ricardo (Biologia) é simplesmente um espetáculo, digno de nota.
Abraços a todos.
PS: infelizmente não poderei reaparecer aqui tão cedo ...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Caríssimos: ultimamente, meu tempo anda muito escasso, de modo que vou lançar, desta feita, um tema para reflexão, e gostaria muito de ouvir manifestações. Na verdade, o que eu gostaria é de transformar esse blog numa página de discussão... mas não sei como fazer isso!
A seguir, eu transcrevo três excertos:
- “A verdade, em se tratando de religião, é simplesmente a opinião que sobreviveu.” (Oscar Wilde)
- “Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais" (José Saramago, em Ensaio sobre a cegueira, p. 119 - fala da personagem por ele chamada de ‘a cega do fundo da camarata’)
Por fim, uma historieta contada por Joseph Campbell:
“Alguns anos atrás, tive uma experiência muito divertida. Eu estava na piscina do Clube Atlético de Nova Iorque, onde fui apresentado a um padre, que era professor em uma de nossas universidades católicas. Então, após ter nadado, sentei-me em uma dessas cadeiras tipo espreguiçadeira, de modo a ficar na posição que chamamos de ‘atleta horizontal’, e o padre que estava ao meu lado perguntou: ‘Então, sr. Campbell, o senhor é padre?’
Eu respondi: ‘Não, padre’.
Ele perguntou: ‘O senhor é católico?’
Respondi: ‘Eu era, padre’.
Então ele perguntou - e acho interessante o modo como ele formulou a questão: ‘O senhor acredita em um deus pessoal?’
‘Não, padre’, disse-lhe.
E ele replicou: ‘Bem, suponho que não há como provar, pela lógica, a existência de um deus pessoal’.
Perguntei-lhe: ‘Se houvesse, padre, qual seria então o valor da fé?’
‘Bem, senhor Campbell’, disse ele rapidamente, ‘foi bom tê-lo conhecido.’ E se foi.”
(Joseph Campbell, em O poder do mito, p. 223)
Obviamente, religião, fé, transcendência, espiritualismo etc., dentre outras manifestações, são fenômenos humanos. Gosto muito de uma das preferidas frases de Marx: “tudo o que é humano não me é estranho”.
Sempre fico impressionado quando comparo diferentes religiões, sobretudo aquelas tidas por nós ocidentais como exóticas (algumas africanas, asiáticas, a dos Maias, também a do Egito - época dos faraós -, dentre outras). Guardadas as devidas proporções, vários temas sempre se repetem. Por exemplo, a idéia da ‘virgem que dá luz a um filho’ não é privilégio do Cristianismo!!! Isso todos sabem.
Pergunto: se o ser humano (espaço e temporalmente situado) possui necessidades parecidas - ao menos quanto às de natureza animal -, poderia uma determinada religião ser “mais autorizada” que outra, sobretudo no que toca à revelação da verdade?
Caso prefiram, gostaria de receber mensagens no email: wumarinho@gmail.com.
Abraços a todos.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Caros colegas: alguns alunos me perguntam como devemos estudar as obras selecionadas pela Fuvest para o seu vestibular. Bom, evidentemente não sou um especialista no tema, mas tive lá minhas experiências, ao menos nas duas oportunidades em que enfrentei a prova (1993 - Poli; 2001 - Largo São Francisco).
Antes de irmos direto ao ponto, gostaria de consignar o seguinte: Literatura é, sem dúvida, dentre as inúmeras manifestações da cultura humana, a que mais me impressiona; há palavras, em certos idiomas, que não têm tradução, ou, ao menos, não são passíveis de serem traduzidas com a mesma semântica.
Isso se mostra ainda mais explícito, por exemplo, quando nos deparamos com a linguagem poética. Como exemplo, nunca me esqueço de um excerto de James Joyce, num de seus livros (Ulisses), quando introduz na fala de um de seus personagens o seguinte verso:
A praga das minhas pragas
Sete dias todo dia
E sete quintas-feiras de abstinência
Pra você, Barney Kierman,
Não tem gole d’água
Que esfrie minha coragem,
E minhas entranhas vermelhas rugindo
Atrás das luzes de Lowry.
Pelo menos para mim, tal verso é incompreensível... ainda que se tente contextualizá-lo no capítulo do citado livro de Joyce.
Esse é um exemplo de como as circunstâncias (espaço-tempo) de determinada língua são imprescindíveis para a compreensão da mensagem.
Tudo piora quando o texto passa por tradução!!! Há, inclusive, um ditado latino nesse sentido: traduttore, traditore! (tradutor, traidor). O verso de Joyce acima transcrito originalmente foi escrito em irlandês.
O que isso tem a ver com a pergunta inicial?
Na preparação para o vestibular, sobretudo na disciplina chamada Literatura, ao estudarmos os vários movimentos literários é preciso ter isso em mente. Tive muitas dificuldades para compreender, por exemplo, Os Lusíadas (obra de leitura obrigatória quando prestei Fuvest). Outra grande dificuldade que enfrentei: Guimarães Rosa. E olha que estamos falando de autores que escreviam em bom Português, mas que em nossos dias a linguagem por eles utilizada já se mostra um tanto incompreensível!
É preciso paciência.
É por isso que, quando o assunto é “Literatura para o vestibular”, a recomendação que dou - caminho que segui à risca, e que me garantiu a aprovação - foi o de PARTICIPAR DE TODAS AS AULAS ESPECÍFICAS SOBRE OS LIVROS DA LISTA. Não perdi nenhuma aula. Em suma: praticamente decorei as recomendações dos professores de Literatura sobre cada livro da lista. Teve livro (ex: Primeiras Histórias, de Guimarães Rosa) que praticamente decorei os comentários contidos nos encartes fornecidos pelo Objetivo.
Evidentemente, recomenda-se a leitura integral de todas as obras da lista. Mas se isso não for possível, JAMAIS COMPAREÇA À PROVA SEM PARTICIPAR DAS AULAS ESPECIAIS E SEM LER OS COMENTÁRIOS ACERCA DAS OBRAS.
Bom, sobre o tema, acho que é isso que posso dizer... pelo menos é o que eu faria de novo se eu estivesse prestando Fuvest hoje!!
Abraços a todos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Meus caros! As ocupações são muitas... tanto para fazer diante de tão pouco tempo!!
Porém, vamos ao ponto que, para mim, tornou-se hoje uma preocupação indisfarçável: o IRÃ, o seu islamismo, o seu projeto nuclear, o seu futuro, o futuro de Israel, o futuro do mundo... tudo isso no embalo do flerte brasileiro com Mahmoud Ahmadinejad.
Antes, porém, peço desculpas, pois não tive tempo para a tão importante introdução de figuras ilustrativas.
Qualquer livro de História Contemporânea que trate minimamente do Irã vai contar sua origem persa. Certamente, nós, ocidentais, nada ou quase nada sabemos sobre a história desse povo, a não ser que Alexandre Magno foi o responsável pela conquista final do Império persa. Mas isso é informação de almanaque.
Seria impossível, ao menos rapidamente, inteirarmo-nos por completo dos inúmeros acontecimentos envolvendo aquele povo desde o surgimento do islamismo, com Maomé (séc. VII dC), até a chamada Revolução islâmica liderada por Aiatolá Khomeini, em 1979.
Entretanto, o fato que salta aos olhos é que no séc. XX um personagem tornou-se protagonista de inúmeras mudanças políticas na face do globo, ainda que tais mudanças não tenham sido por meio de processos naturais: os EUA.
Quanto ao Irã, todos sabem que Reza Pahlavi, até antes de 1979, foi fortemente apoiado pelos EUA, não sendo segredo os vultosos recursos que esta nação injetou naquela, sobretudo para a compra de armas. Ocorre que em 1979 o lado xiita da sociedade iraniana, capitaneada por Aiatolá Khomeini, acabou se sobrepondo ao regime de Reza Pahlavi. Iniciou-se, assim, o governo teocrático do Irã – fundamentalismo religioso, uma espécie de totalitarismo religioso. Bom lembrarmos que tal mudança foi de encontro aos interesses norte americanos.
Em seguida, a grande águia negra aproximou-se do Iraque, utilizando-se da mesma fórmula: injetou dólares nos iraquianos, financiando a guerra Irã-Iraque. Todos sabem o que aconteceu depois...
Hoje, do ponto de vista dos valores ocidentais (sobretudo na ótica dos direitos humanos), é certo que a ascensão de Mahmoud Ahmadinejad representa, ao menos, uma “pequena” evolução quando em comparação com o estrito regime xiita anterior.
Tenho convicção de que todos os povos têm direito à autodeterminação, de promover o desenvolvimento econômico e social, de, em suma, elevar a qualidade de vida (verdadeiro dever do Estado). Contudo, quando o assunto é enriquecimento de urânio, diante de sua evidente relação com o desenvolvimento de armas nucleares, não podemos desconsiderar a insegurança que isso gera para a comunidade internacional, sobretudo num contexto de rivalidades históricas, como é o caso de Irã e Israel, além de outros povos árabes. Aqui referimo-nos ao aspecto histórico, sendo necessário fazermos justiça: nem todos os árabes desejam o extermínio de Israel.
Diante disso, não há como aliviarmos com Mahmoud Ahmanidejad, tendo em vista, principalmente, suas recentes declarações no sentido de ser o Irã, hoje, capaz de fabricar armas nucleares, sem nos esquecermos de sua, no mínimo, particular interpretação quanto à inocorrência do holocausto judeu durante a II Guerra Mundial (delírio nazista!).
De fato, assiste razão à política externa brasileira, quanto ao Irã, ao proclamar o diálogo como a solução para o entrave; nada mais coerente, sobretudo diante do comando constitucional que obriga, no âmbito internacional, a adoção de solução pacífica das controvérsias. Incorre tal política, porém, em grosseiro erro quando passa desse discurso ao flerte, brincando no campo nuclear, com atores com clara intenção de fabricar armas nucleares, quando toda a comunidade internacional já deliberou delas se afastar (inúmeros tratados internacionais vão nesse sentido). A aproximação entre Brasil e Irã, segundo alguns especialistas econômicos, não se justifica nem mesmo do ponto de vista comercial.
Não dá para contemporizar quando o assunto é armamento bélico nuclear. O Brasil não precisa ser amiguinho de Ahmadinejad só porque o Irã pode comprar esse ou aquele produto brasileiro. Não é possível, depois de tudo que já vimos na história recente, brincarmos de “Banco Imobiliário” com o Irã!
Nesse contexto, penso que a postura brasileira adotada pelo atual governo, no que toca à política externa concernente ao Irã, merece ser revista, sob o risco de a comunidade internacional alcunhar o Brasil de TUCANO (perdoem-me o trocadilho). Seria um erro grosseiro e sem precedentes na história diplomática brasileira, que mancharia sua tradição diplomática amealhada desde as épocas passadas de Rui Barbosa - o águia de Haia -, a não ser que toda essa palhaçada seja parte de uma "grande estratégia" do Ministério das Relações Exteriores para, ao final, posar para a foto ao lado de Mahmoud Ahmadinejad quando ele trouxer ao mundo sua bomba atômica - talvez até dê para a foto pegar, ao fundo, o cogumelo atômico!
Esse assunto claramente é de grande importância para os vestibulares. Nesse contexto, recomendo a leitura do recente texto escrito por Augusto Nunes, colunista da revista Veja:
Abraços a todos.
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