quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caros colegas: alguns alunos me perguntam como devemos estudar as obras selecionadas pela Fuvest para o seu vestibular. Bom, evidentemente não sou um especialista no tema, mas tive lá minhas experiências, ao menos nas duas oportunidades em que enfrentei a prova (1993 - Poli; 2001 - Largo São Francisco).
Antes de irmos direto ao ponto, gostaria de consignar o seguinte: Literatura é, sem dúvida, dentre as inúmeras manifestações da cultura humana, a que mais me impressiona; há palavras, em certos idiomas, que não têm tradução, ou, ao menos, não são passíveis de serem traduzidas com a mesma semântica.
Isso se mostra ainda mais explícito, por exemplo, quando nos deparamos com a linguagem poética. Como exemplo, nunca me esqueço de um excerto de James Joyce, num de seus livros (Ulisses), quando introduz na fala de um de seus personagens o seguinte verso:
A praga das minhas pragas
Sete dias todo dia
E sete quintas-feiras de abstinência
Pra você, Barney Kierman,
Não tem gole d’água
Que esfrie minha coragem,
E minhas entranhas vermelhas rugindo
Atrás das luzes de Lowry.
Pelo menos para mim, tal verso é incompreensível... ainda que se tente contextualizá-lo no capítulo do citado livro de Joyce.
Esse é um exemplo de como as circunstâncias (espaço-tempo) de determinada língua são imprescindíveis para a compreensão da mensagem.
Tudo piora quando o texto passa por tradução!!! Há, inclusive, um ditado latino nesse sentido: traduttore, traditore! (tradutor, traidor). O verso de Joyce acima transcrito originalmente foi escrito em irlandês.
O que isso tem a ver com a pergunta inicial?
Na preparação para o vestibular, sobretudo na disciplina chamada Literatura, ao estudarmos os vários movimentos literários é preciso ter isso em mente. Tive muitas dificuldades para compreender, por exemplo, Os Lusíadas (obra de leitura obrigatória quando prestei Fuvest). Outra grande dificuldade que enfrentei: Guimarães Rosa. E olha que estamos falando de autores que escreviam em bom Português, mas que em nossos dias a linguagem por eles utilizada já se mostra um tanto incompreensível!
É preciso paciência.
É por isso que, quando o assunto é “Literatura para o vestibular”, a recomendação que dou - caminho que segui à risca, e que me garantiu a aprovação - foi o de PARTICIPAR DE TODAS AS AULAS ESPECÍFICAS SOBRE OS LIVROS DA LISTA. Não perdi nenhuma aula. Em suma: praticamente decorei as recomendações dos professores de Literatura sobre cada livro da lista. Teve livro (ex: Primeiras Histórias, de Guimarães Rosa) que praticamente decorei os comentários contidos nos encartes fornecidos pelo Objetivo. 
Evidentemente, recomenda-se a leitura integral de todas as obras da lista. Mas se isso não for possível, JAMAIS COMPAREÇA À PROVA SEM PARTICIPAR DAS AULAS ESPECIAIS E SEM LER OS COMENTÁRIOS ACERCA DAS OBRAS.
Bom, sobre o tema, acho que é isso que posso dizer... pelo menos é o que eu faria de novo se eu estivesse prestando Fuvest hoje!!
Abraços a todos.

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