segunda-feira, 19 de abril de 2010

Meus caros! As ocupações são muitas... tanto para fazer diante de tão pouco tempo!!

Porém, vamos ao ponto que, para mim, tornou-se hoje uma preocupação indisfarçável: o IRÃ, o seu islamismo, o seu projeto nuclear, o seu futuro, o futuro de Israel, o futuro do mundo... tudo isso no embalo do flerte brasileiro com Mahmoud Ahmadinejad.

Antes, porém, peço desculpas, pois não tive tempo para a tão importante introdução de figuras ilustrativas.

Qualquer livro de História Contemporânea que trate minimamente do Irã vai contar sua origem persa. Certamente, nós, ocidentais, nada ou quase nada sabemos sobre a história desse povo, a não ser que Alexandre Magno foi o responsável pela conquista final do Império persa. Mas isso é informação de almanaque.

Seria impossível, ao menos rapidamente, inteirarmo-nos por completo dos inúmeros acontecimentos envolvendo aquele povo desde o surgimento do islamismo, com Maomé (séc. VII dC), até a chamada Revolução islâmica liderada por Aiatolá Khomeini, em 1979.

Entretanto, o fato que salta aos olhos é que no séc. XX um personagem tornou-se protagonista de inúmeras mudanças políticas na face do globo, ainda que tais mudanças não tenham sido por meio de processos naturais: os EUA.

Quanto ao Irã, todos sabem que Reza Pahlavi, até antes de 1979, foi fortemente apoiado pelos EUA, não sendo segredo os vultosos recursos que esta nação injetou naquela, sobretudo para a compra de armas. Ocorre que em 1979 o lado xiita da sociedade iraniana, capitaneada por Aiatolá Khomeini, acabou se sobrepondo ao regime de Reza Pahlavi. Iniciou-se, assim, o governo teocrático do Irã – fundamentalismo religioso, uma espécie de totalitarismo religioso. Bom lembrarmos que tal mudança foi de encontro aos interesses norte americanos.

Em seguida, a grande águia negra aproximou-se do Iraque, utilizando-se da mesma fórmula: injetou dólares nos iraquianos, financiando a guerra Irã-Iraque. Todos sabem o que aconteceu depois...

Hoje, do ponto de vista dos valores ocidentais (sobretudo na ótica dos direitos humanos), é certo que a ascensão de Mahmoud Ahmadinejad representa, ao menos, uma “pequena” evolução quando em comparação com o estrito regime xiita anterior.

Tenho convicção de que todos os povos têm direito à autodeterminação, de promover o desenvolvimento econômico e social, de, em suma, elevar a qualidade de vida (verdadeiro dever do Estado). Contudo, quando o assunto é enriquecimento de urânio, diante de sua evidente relação com o desenvolvimento de armas nucleares, não podemos desconsiderar a insegurança que isso gera para a comunidade internacional, sobretudo num contexto de rivalidades históricas, como é o caso de Irã e Israel, além de outros povos árabes. Aqui referimo-nos ao aspecto histórico, sendo necessário fazermos justiça: nem todos os árabes desejam o extermínio de Israel.

Diante disso, não há como aliviarmos com Mahmoud Ahmanidejad, tendo em vista, principalmente, suas recentes declarações no sentido de ser o Irã, hoje, capaz de fabricar armas nucleares, sem nos esquecermos de sua, no mínimo, particular interpretação quanto à inocorrência do holocausto judeu durante a II Guerra Mundial (delírio nazista!).

De fato, assiste razão à política externa brasileira, quanto ao Irã, ao proclamar o diálogo como a solução para o entrave; nada mais coerente, sobretudo diante do comando constitucional que obriga, no âmbito internacional, a adoção de solução pacífica das controvérsias. Incorre tal política, porém, em grosseiro erro quando passa desse discurso ao flerte, brincando no campo nuclear, com atores com clara intenção de fabricar armas nucleares, quando toda a comunidade internacional já deliberou delas se afastar (inúmeros tratados internacionais vão nesse sentido). A aproximação entre Brasil e Irã, segundo alguns especialistas econômicos, não se justifica nem mesmo do ponto de vista comercial.

Não dá para contemporizar quando o assunto é armamento bélico nuclear. O Brasil não precisa ser amiguinho de Ahmadinejad só porque o Irã pode comprar esse ou aquele produto brasileiro. Não é possível, depois de tudo que já vimos na história recente, brincarmos de “Banco Imobiliário” com o Irã!

Nesse contexto, penso que a postura brasileira adotada pelo atual governo, no que toca à política externa concernente ao Irã, merece ser revista, sob o risco de a comunidade internacional alcunhar o Brasil de TUCANO (perdoem-me o trocadilho). Seria um erro grosseiro e sem precedentes na história diplomática brasileira, que mancharia sua tradição diplomática amealhada desde as épocas passadas de Rui Barbosa - o águia de Haia -, a não ser que toda essa palhaçada seja parte de uma "grande estratégia" do Ministério das Relações Exteriores para, ao final, posar para a foto ao lado de Mahmoud Ahmadinejad quando ele trouxer ao mundo sua bomba atômica - talvez até dê para a foto pegar, ao fundo, o cogumelo atômico!

Esse assunto claramente é de grande importância para os vestibulares. Nesse contexto, recomendo a leitura do recente texto escrito por Augusto Nunes, colunista da revista Veja:


Abraços a todos.

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