sábado, 29 de maio de 2010
Colegas, perdoem-me a ausência... neste momento não tenho como ser constante nas postagens. Assuntos não faltariam. O que falta é o tempo.
Agradeço as mensagens recebidas no meu email relativamente à postagem anterior.
Nesta oportunidade eu quero pontuar o seguinte: estamos em ano eleitoral, sendo que será a primeira vez, desde a redemocratização, que a disputa presidencial não terá como candidato Luiz Inácio Lula da Silva. O palco da política nacional chega a ser hilário. A falta de identidade político-ideológica dos partidos políticos causa perplexidade, mas, sobretudo, preocupação. O que temos visto nos últimos 20 anos é, em síntese, a divisão do bolo (como se fosse um despojo de guerra) entre aqueles que chegam ao Poder...
É certo que a democracia se faz por meio de acordos, nem sempre sendo legítima a mera maioria pura e simples (não há mais espaço para a ditadura da maioria). Por vezes é preciso ceder aqui e ali diante de setores da sociedade devidamente representados no meio político.
Mas o que falta é identidade política, significando isso um ideário bem definido, baseado em valores que deveriam estar impressos, por exemplo, nos programas partidários. Porém, todos sabemos que entre nós predomina a ideia do “cacique político”.
O que veremos na campanha eleitoral que se avizinha? ... frases feitas, as mesmas de sempre. Veremos candidatos evitando ao máximo o embate de ideias, mas prontos a atacar a pessoa do adversário político. Outros vão oferecer milagres, benesses, maravilhas... sem explicar de onde elas virão, limitando-se a falar que farão com que o PIB cresça, que diminuirão a evasão de tributos por meio da fiscalização, coisas assim genéricas, sem significado concreto e minimamente coerente para quem está alheio à rotina da burocracia estatal (aqueles que compõem a maior parte dos quase 130 milhões de eleitores brasileiros).
Como compreender isso? Como mudar isso? Não adianta esperarmos um “salvador da pátria”, um herói. Esse existe certamente nos mitos. Na vida real ele aparece raramente. Não podemos contar com a sorte. Votar NÃO PODE SER LOTERIA.
Primeiro é preciso entendermos como tudo isso ficou assim.
Nesse contexto, recomendo a leitura do seguinte livro:
“Quinhentos anos de periferia”, de Samuel Pinheiro Guimarães, Editora da Universidade do Rio Grande do Sul.
Somente para aguçar o interesse pela leitura do citado livro, transcrevo um excerto:
“Quanto mais concentradas a renda e a riqueza, maior o descompasso entre o sistema econômico e o sistema político e maior a influência do poder econômico na política - para garantir que o peso dos interesses econômicos corresponda à sua influência no sistema de decisão política, inclusive para que aqueles interesses fiquem salvaguardados.
Assim, a principal característica da democracia do mundo atual é a influência do poder econômico sobre a política, através das modernas técnicas de publicidade, de pesquisas de opinião e do uso da televisão na política.
As modernas técnicas de publicidade, acopladas aos novos hábitos sociais gerados pela televisão - isto é, a fragmentação do discurso lógico e do fluxo de idéias e imagens desconectadas entre si, a eliminação do intercâmbio de idéias e de experiências no seio da família e da comunidade - facilitaram a transformação das campanhas eleitorais em campanhas de promoção de ‘produtos de consumo político’.
As modernas técnicas de pesquisa de opinião, orientadas e fragmentadas por segmentos sociais com interesses comuns, permitem a identificação científica das mensagens que os diversos segmentos sociais desejam ouvir, reduzem o compromisso efetivo dos candidatos com um programa político consistente e com seus eleitores e impedem o contraste e o debate de idéias.”
Outro livro que também recomendo - mas que deverá ser lido somente depois do Vestibular, pois primeiro devemos cumprir com o dever, para somente depois irmos ao prazer!!! - é o seguinte: “Os donos do poder - formação do patronato político brasileiro”, de Raymundo Faoro.
Por enquanto é o que posso postar nesse meu blog que, quando comparado com os dos meus colegas professores do Argumento/Objetivo, chega a ser tosco ao extremo - o blog do professor Ricardo (Biologia) é simplesmente um espetáculo, digno de nota.
Abraços a todos.
PS: infelizmente não poderei reaparecer aqui tão cedo ...
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